Blog MartinLab

Bem vindo ao blog do MartinLab! Aqui você pode encontrar comentários sobre artigos científicos discutidos em nossos seminários semanais, notícias comentadas e textos educativos. Nossas principais áreas de interesse são imunologia de tumores, imunoterapia do câncer e aplicações biotecnológicas em saúde.

Evitar a ubiquitinação pode melhorar a eficácia das terapias com células CAR-T

- Por Luiza Abdo - No último século, o avanço no entendimento da biologia da célula vem crescendo de forma exponencial. As células produzem milhares de proteínas que podem agir como enzimas, hormônios, estruturas celulares, auxiliar na defensa entre outras funções. Contudo, as células podem produzir proteínas defeituosas ou às vezes precisam simplesmente fazer uma limpeza do “excesso” de proteínas para regular as moléculas de seu interior. Para isso, é necessário que essas proteínas sejam marcadas e posteriormente levadas à degradação. Esse processo de marcação foi denominado ubiquitinação, no qual moléculas de ubiquitina se ligam às proteínas alvo. A relevância dessa descoberta para o homeo

Modulando domínios de ativação das células CAR-T: menos é mais?

- Por Brenno Sessa - A modificação de linfócitos para expressarem receptores quiméricos de antígeno (CARs) tem ganhado espaço dentre as terapias oncológicas devido aos resultados promissores obtidos no tratamento de tumores. Parte considerável do potencial dessa terapia vem de sua flexibilidade, uma vez que CARs podem ser desenhados para diversos alvos. Os primeiros CARs gerados eram essencialmente compostos por uma região extracelular capaz de reconhecer um antígeno, uma região transmembrana e a região intracelular capaz de ativar o linfócito. As versões mais comuns dos CARs usam uma porção de sinalização advinda da cadeia zeta do complexo CD3 de sinalização do TCR, embora outras configuraç

Descrevendo o sistema imune nos tumores

- Por Luciana Barros - O grande avanço no tratamento de câncer nos últimos anos é a imunoterapia, inclusive agraciando com o Prêmio Nobel de 2018 dois imunologistas por suas descobertas de receptores que funcionam como “freios” do sistema imune e o desenvolvimento de anticorpos monoclonais que permitam bloquear estas moléculas. Ao longo da nossa vida, células no corpo sofrem mutações e produzem proteínas “anormais” que são reconhecidas como estranhas pelo sistema imune, os chamados neoantígenos. Assim que encontram neoantígenos, linfócitos T citotóxicos matam essas células. No entanto, algumas células com mutações conseguem impedir que o sistema imune reconheça seus neoantígenos e escapam da

Ligando e desligando genes – avanços em Biologia Sintética

- Por Luciana Barros - As integrases foram descobertas em vírus que infectam células humanas e em fagos (vírus que infectam bactérias). Essas enzimas são capazes de inserir o DNA do vírus no DNA da célula hospedeira. Algumas integrases de fago têm um potencial terapêutico enorme porque reconhecem sequências de DNA muito específicas [1]. Esta habilidade das integrases pode ser usada tanto para inserir genes no DNA como para alterar a orientação de um segmento gênico no DNA, seja um gene de interesse ou uma região reguladora como um promotor, por exemplo. Usando essa ferramenta, poderíamos inserir genes no DNA e decidir qual o melhor momento para ligá-los ou desligá-los ativando a expressão de

O impacto de antioxidantes na função das células CAR-T

- Por Emmanuel Aragão - As células T naive (Tn), após o momento de sua ativação, podem se diferenciar em diversos fenótipos – os fenótipos mais descritos são as células tronco de memória (Tscm), memoria central (Tcm), memória efetora (Tem) e efetoras terminais (Teff). Para ocorrer a diferenciação é necessária uma reprogramação metabólica destas células a um perfil mais anabólico, com maior geração de espécies reativas de oxigênio (ROS) e ativação de vias de sinalização como do PI3K/AKT/mTOR e c-Myc, que irá resultar, entre outras coisas, no aumento da glicólise para maior produção de energia. Fenótipos de células T Funcionalmente, as células pouco diferenciadas conseguem migrar melhor entre

Rumo à terapia CAR-T “off-the-shelf”: Como impedir a eliminação de linfócitos alogênicos?

Por Karina Hajdu - Um trabalho publicado na Nature Biotechnology em julho deste ano aborda uma nova estratégia para a produção de células CAR-T alogênicas, isto é, produzidas a partir de linfócitos de doadores saudáveis para serem posteriormente reinseridas em outro indivíduo. Esta abordagem possui diversas vantagens potenciais, como o desenvolvimento de um produto terapêutico com qualidade padronizada e uma diminuição do custo do tratamento. Já falamos bastante aqui no blog sobre a imunoterapia com células CAR (chimeric antigen receptor)-T, que é uma das nossas linhas de pesquisa no MartinLab. Resumidamente, esta vertente de imunoterapia consiste na modificação genética de linfócitos T para

Sleeping Beauty: O despertar de um poderoso sistema transposon para transgênese

- Por Leonardo Ribeiro - The Walt Disney Company Thomas Morgan foi até Estocolmo receber o prêmio Nobel em 1934 e durante seu discurso, ao receber o prêmio, disse: “A contribuição mais importante que a genética fez à medicina, em minha opinião, é intelectual.” Ele acabara de ser laureado por suas contribuições revolucionárias sobre variabilidade genética, estudando as Drosófilas (moscas da fruta). Para Morgan, era provável que a genética não teria qualquer relevância na medicina moderna, menos ainda no desenvolvimento de terapias. Fato é que ele não conheceu a história da “Bela Adormecida” ou Sleeping Beauty (SB). Contudo, apesar do nome, esta história não é sobre um conto de fadas. Essa his

Como as células tumorais escapam do sistema imunológico através da autofagia?

Um dos maiores obstáculos no tratamento do câncer é a evasão imunológica. De fato, o tumor pode criar mecanismos de resistência que lhe permitem crescer sem ser detectado pelo sistema imunológico, particularmente através de mutações que interferem na capacidade de apresentação de antígeno pelo complexo maior de histocompatibilidade de tipo I (MHC I). O MHC de classe I, presente em todas as células nucleadas do corpo, é responsável pela apresentação de peptídeos derivados da degradação das proteínas celulares às células T. Este processo inclui os peptídeos estranhos ou alterados (antígenos) presentes na células, o que pode auxiliar no desencadeamento de uma resposta imunológica para eliminar

Doenças auto- imunes: um novo campo para as células CAR-T

- Por Priscila Rafaela Ribeiro - Receptores quiméricos de antígenos (Chimeric Antigen Receptors - CARs) são proteínas de fusão formadas normalmente por um domínio extracelular advindo de um anticorpo monoclonal de interesse, fusionado a um domínio transmembrana e seguidos de sequencias de sinalização intracelular. Mais especificamente, as cadeias variáveis leve (VL- variable light) e pesada (VH- variable heavy) de determinado anticorpo são clonadas na forma de um fragmento simples de cadeia única, denominados scFv (Single chain Fragment variable), separadas por uma alça e unidas ao domínio intracelular através de uma porção transmembrana. Já a porção intracelular corresponde à moléculas de s

Apoio Financeiro:

Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Rio de Janeiro - RJ

Brasil

2020